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Ricardo Bastos, diretor da GWM, fala sobre essa nova marca de carros no Brasil

9 Minutos de leitura

  • Publicado: 16/03/2023
  • Atualizado: 16/03/2023 às 12:36
  • Por: Isabel Reis

A GWM é uma marca muito importante na China, e em vários países do mundo, e já causando boa impressão no Brasil. Inicialmente serão vendidas três versões de SUV por aqui, sendo que um deles é o superesportivo Haval H6, com 393 cv de potência e aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 4,8 segundos. Um foguetinho! Tudo isso somado à muita tecnologia embarcada e aos motores elétricos e a combustão!

GWM significa Great Wall Motors, uma empresa jovem para os padrões centenários da indústria automotiva, com 38 anos de existência na China. Aqui no Brasil, a marca adquiriu a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior de São Paulo. No primeiro semestre do próximo ano já devem sair os primeiros modelos montados no país. Mas o consumidor já pode adquirir um modelo desde agora, com sistema de pré-reserva, inclusive. As primeiras unidades importadas da China devem estar à venda em abril. O interessante é que a GWM anunciou que também oferecerá picapes, montadas no Brasil em sistema CKD, e que talvez elas sejam produzidas antes que os SUVs, no próximo ano.

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Conheça mais sobre a GWM e as tecnologias dos seus modelos nesta entrevista com Ricardo Bastos, Diretor de Relações Institucionais, um profissional muito experiente na área de automóveis e com muita bagagem no setor de veículos híbridos e meio-ambiente.

A Racing já publicou uma reportagem completa do novo carro da GWM, o Haval H6 GT, um super esportivo capaz de fazer de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos. Mas as novidades da Great Wall Motors não param por aí, certo?

Ricardo Bastos – Realmente, essa versão GT tem tudo a ver a questão da velocidade, mas com muita segurança. A gente procura trazer para os nossos produtos Haval, que são o H6, H6 Premium e GT, em primeiro lugar muita força e potência. E a gente procura gerar essa força a partir da base elétrica. No caso da linha plug in, que são o GT e o H6 Premium, eles têm 393 cv de potência e com o uso prioritariamente elétrico. Mas eles também têm um motor 1.5 turbo à combustão, que pode fazer as funções de tracionar o veículo e de recarregar a bateria, para que seja possível usar o carro mais tempo no modo elétrico. Essa sensação de grande aceleração que o carro oferece vem do conjunto elétrico: a força ocorre instantaneamente e o torque acontece imediatamente. No dia a dia muitas vezes a gente precisa de uma ultrapassagem, ou utiliza o carro em situações onde se precisa de força e todos os nossos carros estão entregando isso. A tração quatro por quatro também é outro recurso, que pode funcionar o tempo todo ou não, dependendo da necessidade. Os carros têm muitos recursos de segurança de última geração, ligados à segurança, mobilidade e conectividade!

Essas são as três versões do SUV Haval, com preços partindo de R$ 209.000 na versão híbrida – Foto divulgação
Qual o diferencial da versão de entrada, o Haval H6, para seus concorrentes no mercado brasileiro? O preço do carro de R$ 209.000 é um atrativo?

Ricardo Bastos – Ele é um carro completo e a nossa preocupação agora é levar essa informação para o público. Essa versão é igual às outras duas plug in, só que ele não é plug in: trata-se de um híbrido convencional, onde se tem um sistema elétrico junto com o sistema à combustão, sem necessidade de colocá-lo na tomada. Essa versão possui 240 cv de potência. Mas nem se sente a diferença de potência no torque inicial, quando se dá a aceleração. E do ponto de vista de segurança, de eletrônica, até mesmo o teto solar panorâmico que é oferecido nas outras versões, ele é completo. Nós procuramos oferecer o carro com um valor mais acessível de R$ 209.000. Mas o grande diferencial é a escolha que o consumidor tem que fazer sobre qual o seu propósito de uso. Se ele não tem essa facilidade de carregar o carro na tomada no dia a dia, nós recomendamos a versão H6 do híbrido convencional. Então a questão para nós não é seer uma versão de entrada ou menos luxuosa, mas sim ser híbrido ou ser plug in e precisar recarregar na tomada. Até porque o acabamento é o mesmo para as três versões. Pensamos na necessidade do consumidor do veículo para o seu uso. Para quem quer usar o modo elétrico, tem as outras duas versões plug in.

Essa é a versão GT, mais esportiva, com motores elétricos do sistema plug-in. Faz de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos – Foto divulgação
O site da GWM informa que o H6 é um dos SUVs mais vendidos no mundo. Seria na versão híbrida ou na elétrica?

Ricardo Bastos – Sempre na híbrida. Para o ano que vem já estamos trabalhando para ter os veículos flex, podendo usar tanto etanol quanto gasolina na versão híbrida. Precisamos de mais ou menos um ano para desenvolver o sistema. Então em 2024 já haverá a possibilidade de ter o carro usando 100% de etanol. Essa configuração que temos aqui no Brasil não existe em nenhum outro lugar do mundo, de dois motores elétricos funcionando com o de combustão. Esse conjunto nós pegamos emprestado de um outro produto nosso, mais top e mais caro também. No nosso entendimento o consumidor brasileiro gosta de potência e de força.

Queríamos muito caracterizar o nosso produto como um carro elétrico e acoplamos um motor à combustão para fazer o híbrido para facilitar para as pessoas. Não é preciso se preocupar em carregar o carro na tomada. Mesmo o carro híbrido plug in, se você não carregar na tomada, vai conseguir usá-lo no modo elétrico, usando o motor à combustão como um gerador. Mas isso seria um desperdício, porque para conseguir a melhor performance é preciso carregá-lo na tomada. Entretanto, se a pessoa esquecer, vai poder usar o carro mesmo assim.  Eu passei por essa experiência, usando o Haval com as baterias praticamente descarregadas e fiz uma viagem de 750 km. Fiz uma média de 15 / 16 km/litro. Foi uma escolha para eu testar o sistema, abastecendo com gasolina só uma vez, e chegando muito bem ao meu destino.

Ricardo Bastos pronto para acelerar o Haval na pista de Interlagos – Foto divulgação

 

Com as baterias, como funciona essa autonomia?

Ricardo Bastos – Só com as baterias a autonomia é de 170 km. O motor à combustão em média 27 km/litro. Quando fazemos a conta dos dois dá mais de 1.000 km porque o tanque é de 55 litros. Mas o mais importante é a forma como se irá utilizar o carro, por exemplo, se ele está pesado, com cinco ocupantes, com malas, em regiões com muitas subidas, como uma serra, aí o consumo fica maior. A autonomia é uma referência. Ele tem no sistema multimídia uma série de comandos para que se personalize o uso. Pode ser colocado por exemplo um sistema mais forte de recuperação de energia (quando se freia, ele passa a carregar mais energia). O carro passa a entender qual condução o motorista quer dar ao veículo, que poderia ser usufruir ao máximo como elétrico e ter ainda um ganho ambiental.

Explica um pouco sobre a Great Wall Motors. A marca é a maior de automóveis da China?

Ricardo Bastos – Nós somos uma empresa jovem, com 38 anos de idade na China. Muito pouco tempo, considerando as montadoras centenárias que existem pelo mundo. Nascemos com picapes e SUVs. Está no nosso DNA essa parte de off-road. Mas rapidamente a empresa entrou na área da mobilidade elétrica e sustentável, que foi o caminho que a China escolheu. A nossa empresa é 100% privada, sem participação do governo chinês. O que temos de experiência internacional é muito forte nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Temos centros na Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coréia, Índia, e na própria China, claro. São muitos os lugares os quais a gente hoje recebe inteligência, recebe o que há de melhor no mundo todo. A nossa parte de produção já é mais concentrada na China. Mas temos também fábricas na Rússia e Tailândia. E agora temos a experiência de manufatura do Brasil, com a nossa fábrica local.

A Great Wall tem a fábrica em Iracemápolis, interior de São Paulo. Haverá produção mesmo ou montagem em CKD?

Ricardo Bastos – Compramos essa fábrica em 2021, passando por uma grande reforma. Ela era da Mercedes- Benz, que produzia apenas veículos a combustão e que agora está 100% preparada para produzir veículos eletrificados. A produção vai iniciar no formato de CKD, com importação de peças, componentes, todos vindos da China, para montar aqui no Brasil. Ela terá duas linhas de montagem no início. Ainda não definimos qual modelo será o primeiro a sair de linha, se uma picape ou um SUV. Será no primeiro semestre do ano que vem.

A GWM comprou a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, interior de São Paulo, e no primeiro semestre de 2024 sairão os primeiros modelos produzidos no Brasil – Foto divulgação
Então existe a possibilidade de ser uma picape produzida e não o SUV?

Ricardo Bastos – Sim, grande chance de ser uma picape. Se ela não for a primeira a sair da linha de montagem, ela sairá logo em seguida. Se vende muita picape no Brasil e na América Latina. Estamos observando esses mercados. Trata-se de uma picape média grande, no segmento acima de uma tonelada de carga. Pretendemos surpreender: não queremos ser mais uma picape no mercado. Queremos um produto diferenciado, como falamos aqui, com muita potência e torque. E as fazendas hoje, por exemplo, tem produção própria de energia que e que pode abastecer os carros de uso elétrico.

Fala um pouco sobre o sistema de compra com reserva. Está dando certo?

Ricardo Bastos – Já, sim. Estamos quase na hora de colocar uma limitação. Fizemos esse sistema de pré-reserva pelo Mercado Livre e pelo nosso site. Estamos aceitando os pedidos, que estão sendo conectados com unidades que estão a caminho. A chegada desses modelos é a partir de abril e o veículo pode ser entregue na casa da pessoa, depende do que ela escolher. Para fazer a reserva precisa de um sinal de R$ 9.000, que depois será abatido do valor total.

Os primeiros modelos à venda serão importados da China e já estarão à disposição dos seus compradores em abril – Foto divulgação
Ricardo, você já tem uma grande experiência na área de automóveis. Conta para nós um pouco da sua história.

Ricardo Bastos – Já passei por empresa americana (Ford), japonesa (Toyota) e agora estou em uma chinesa. Para mim tem um lado cultural que é muito interessante, porque estou sempre aprendendo. Todos os modelos de negócio têm as suas particularidades, com pontos sempre para melhorar. Passei a incorporar isso também na minha carreira. Estive ligado na questão da eletro mobilidade nos últimos dez anos, trabalhando principalmente com os veículos híbridos.

Qual mensagem você gostaria de deixar para os leitores da Racing?

Ricardo Bastos – A mensagem é: conheçam os nossos produtos, principalmente a nossa versão GT, que tem tudo a ver com o público da Racing, que gosta de esportividade. Mas que vai muito além em termos de tecnologias avançadas.

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