O jornalismo especializado perdeu nesta quinta-feira (10) um de seus principais nomes. Claudio Carsughi faleceu aos 93 anos, após permanecer 27 dias internado em decorrência de uma infecção respiratória.
A informação foi divulgada por sua filha, Claudia Carsughi, nas redes sociais. Em uma publicação, Claudia afirmou que seu ‘pai lutou pela vida durante os 27 dias de internação e morreu em paz’.
Carsughi deixa uma trajetória de mais de sete décadas dedicada ao jornalismo esportivo e especializado. Italiano de nascimento, chegou ao Brasil em 1946 e iniciou sua relação com a imprensa esportiva ainda jovem. Em 1950, participou da cobertura da Copa do Mundo realizada no Brasil como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport.

Uma carreira marcada pelo pioneirismo
Ao longo da carreira, Carsughi acompanhou diferentes fases do esporte e da indústria automotiva. Na Fórmula 1, tornou-se uma das principais referências da imprensa brasileira, combinando a experiência como jornalista ao conhecimento técnico adquirido com sua formação em Engenharia.
O jornalista também foi pioneiro no uso de estatísticas durante transmissões esportivas e acompanhou cinco edições consecutivas da Copa do Mundo, em 1970, 1974, 1978, 1982 e 1986.
No jornalismo automotivo, sua formação técnica teve papel importante na maneira como avaliava os veículos. Carsughi acompanhou a evolução da indústria brasileira durante décadas e participou de testes e análises que se tornaram referência para diferentes gerações de leitores.
Entre os momentos marcantes de sua carreira está o primeiro teste do Volkswagen Gol. Em 1980, Carsughi foi o primeiro jornalista a colocar as mãos no novo modelo da Volkswagen, em uma avaliação realizada em sigilo antes da apresentação oficial do carro. O teste foi publicado pela Quatro Rodas na edição de maio daquele ano.

A relação com o automobilismo ultrapassou as páginas e os microfones. Carsughi foi homenageado em diferentes momentos por sua contribuição ao esporte a motor. Em 2013, por exemplo, esteve ao lado de nomes como Bird Clemente, Emerson Fittipaldi, Chico Rosa e Reginaldo Leme em uma homenagem realizada pelo Capacete de Ouro.
Um legado que atravessou gerações
Mesmo com o avanço da internet e as transformações na imprensa, Carsughi continuou produzindo conteúdo. Em 2012, lançou seu próprio site, iniciativa que levou seu trabalho para o ambiente digital e manteve sua atuação próxima dos leitores. O lançamento ocorreu em 14 de maio daquele ano, em São Paulo.
A longevidade também se refletiu no reconhecimento recebido ao longo dos anos. Em 2015, sua filha Claudia Carsughi criou o prêmio Carsughi L’Auto Preferita como forma de homenagear, ainda em vida, a trajetória do jornalista. A premiação chegou à sua 11ª edição em 2025.
Em outubro de 2025, no dia em que completou 93 anos, Carsughi também foi homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Conhecido como “Mestre Carsughi”, o jornalista deixa como legado uma carreira que atravessou diferentes meios de comunicação e acompanhou profundas transformações no esporte, na indústria automotiva e no próprio jornalismo. Mais do que a quantidade de veículos em que trabalhou, sua marca está no conhecimento técnico, na longevidade e na influência exercida sobre diferentes gerações de profissionais.


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