Não faltou emoção na disputa da 38ª edição dos 500 Km de São Paulo, prova disputada neste domingo (4 de setembro) no autódromo José Carlos Pace (Interlagos). A vitória do trio Tiel Andrade/Paulo Souza/Marcelo Viana (Tubarão XI/Sigma Ford turbo), que havia largado na pole position, só foi definida das voltas finais da competição, encerrada com 101 voltas, 15 a menos que o programado por causa das condições meteorológicas.
Completaram o pódio na classificação geral o time formado por Eduardo Souza/Leandro Totti/Marcelo Henriques (MRX-Audi turbo, também da categoria P2) e a dupla Rick Bonadio/Rodrigo Pacheco (Mercedes Benz AMG GT4, categoria Força Livre). Nas demais categorias, foram vencedores Guga Ghizzo/José Villela Neto/Leo Yoshi (MRX-Honda, P2 Light) Luiz Abbade/Alejandro “El Príncipe” Cignetti (Spyder VW, P3) Rafael Kasai/Vinicius Salva/Otávio Camarcio (Chevrolet Celta 2.0, Turismo 2.0) e Luiz Finotti/Kaio Dias/Fabiano Gaspari (VW Passat 1.6, Turismo 1.6).
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A largada dos 500 Km, originalmente prevista para as 14 horas, aconteceu com ligeiro atraso em decorrência de acidentes ocorridos em provas preliminares. A previsão era que as 116 voltas previstas seriam percorridas em cerca de três horas e meia, mas no briefing com os pilotos o diretor de prova Bruno Cabral adiantou a possibilidade de a prova ser encerrada antes do percurso total ser completado: “Eu mencionei isso aos pilotos, mas independente de ter sido falado ou não, o encerramento antes do previsto era uma questão de segurança. Se eu entendo que não há segurança por falta de luminosidade natural, isso me permite encerrar a competição”.
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Dada com céu nublado e pista seca, a largada confirmou a expectativa de uma boa disputa entre os três primeiros colocados no grid, com o MRX-Audi turbo superando o Tubarão antes do S do Senna para assumir a liderança. O ABS01-Chevrolet de Ney Faustini/Ney de Sá Faustini, terceiro colocado no grid, assumiu o segundo lugar na segunda volta, mas abandonou logo em seguida por quebra do motor. O MRX-Honda também liderou algumas voltas na primeira fase da prova. Minutos depois, começou uma garoa que a cada volta umedecia um trecho diferente da pista, criando um desafio extra para os pilotos.
Ao fazer um pit stop na volta 56, o MRX-Audi teve um parafuso de roda preso e perdeu muito tempo no box, caindo para o quarto lugar. Pouco depois, a chuva aumentou o suficiente para molhar toda a pista. Nessa altura, o MRX-Audi já havia subido para a terceira posição, atrás do Tubarão Sigma e do MRX-Opel de José Tinoco/Ricardo Furquim. Na volta 89, a direção de prova acionou o safety car para remover dois carros que haviam parado na pista (um deles, o MRX-Opel). Aproveitando a vantagem de uma volta sobre o MRX-Audi, a equipe MC Tubarão chamou seu carro ao box para colocar pneus de chuva novos e trocar de piloto, com Tiel Andrade dando lugar a Marcelo Viana. A direção de prova já havia estabelecido o horário limite das 18 horas para dar a bandeirada, independentemente do número de voltas percorridas pelos líderes.
Na relargada, o MRX-Audi tomou a liderança. Começou então uma disputa emocionante pela vitória, interrompida momentaneamente com outro período de safety car para remover o Spyder-VW #75, que havia parado na entrada da Reta Oposta. Após a última relargada, o Tubarão Sigma e o MRX-Audi desceram a Reta Oposta lado a lado antes de Viana assumir a liderança em definitivo.
Esta foi a primeira vitória de equipe e pilotos gaúchos em 39 edições dos 500 Km de São Paulo. Carlos Geison de Andrade, o Né, chefe da equipe gaúcha MC Tubarão, não escondia o alívio depois da corrida: “Quando começou a chuva, a gente tentou andar de slick, até que não tinha mais segurança. Paramos e trocamos para pneus de chuva, mas não tivemos tempo de treinar com o pneu e a altura do carro não estava certa. Tivemos que mexer nisso e perdemos mais 40 segundos. Ainda tínhamos mais uma parada, mas entramos com pneus certos e altura certa e conseguimos boa performance do carro.”
Projeto desenvolvido pela Sigma Engenharia, o protótipo usado pela MC Tubarão foi bastante modificado pelo time baseado em Campo Bom a partir do fim de 2021 e estreou nas pistas na abertura do Campeonato Brasileiro de Endurance de 2022. Após alguns abandonos nesse torneio, o modelo conquistou a pole position dos 500 Km de São Paulo. O spyder projetado para receber motor V8 agora é impulsionado por um Ford Duratec 2.0 turbo de quatro cilindros e já mostra evolução marcante.
O time da LT Racing Team, classificado em segundo lugar na classificação geral, liderou a prova por várias voltas, sofreu um acidente na entrada da reta principal, recuperou duas voltas de diferença para o líder e nas voltas finais voltou a pontear o pelotão, à frente do Tubarão Sigma.
Vitória complicada na P2 Light
Principal concorrente na classe P2 Light, que reuniu protótipos com motores aspirados, o MRX-Honda de José Vilela, Guga Ghizzo e Leo Yoshi teve uma corrida complicada, em particular devido a um vazamento de combustível que provocou queimaduras em Ghizzo (que chegou a ser hospitalizado no fim da prova) e José Vilela, que explica: “Na pista seca a gente estava virando bem, sem problemas. Quando eu assumi o comando do carro, começou a chover e nós optamos por continuar com pneus slick, adaptando nosso ritmo às condições da pista. Os maiores problemas com o piso molhado eram na reta oposta, no Lago e na curva do Café. Mas optamos por ficar na pista até o final da prova porque apostávamos [em uma melhora na pista]. O segredo foi ser gentil no acelerador porque o nosso protótipo tem um motor com muito torque e uma aceleradinha mais forte era rodada na certa.”
Mercedes AMG GT4 vence na Força Livre
Na Força Livre, a vitória ficou com um dos destaques da prova: o Mercedes-Benz AMG GT4 da equipe JDavid Racing, tripulado pela dupla Rodrigo Pacheco/Rick Bonadio. Ainda ganhando experiência (começaram a correr há menos de três anos), eles escaparam por pouco de ver sua corrida acabar no guard-rail da saída da Curva do Sol no começo do período de chuva mais forte. “Foi uma corrida bem difícil porque aconteceu de tudo. A gente largou de slick e a garoa fina obrigava a mudar o ponto de frenagem a cada mudança. Depois, tivemos a situação de chover bastante e a gente estava de pneus slick. Tivemos sorte por escapar de bater. O Pacheco pegou o carro para fazer o último stint e aí quebrou o limpador de para-brisa”, contou Bonadio, conhecido produtor musical que obteve sua primeira vitória no automobilismo.
Tri da Equipe Oto na Turismo 2.1
Formada por um grupo de amigos que dividem entre si as tarefas necessárias para colocar dois carros na pista, a Equipe Oto chegou ao tricampeonato em sua categoria nos 500 Km de Interlagos com o Chevrolet Celta número 17 equipado com motor Astra de 2 litros pilotado por Rafael Kasai/Vinícius Salva/Otávio Camarcio. Desta vez, a conquista foi obtida em dobradinha, com o Corsa número 216, também equipado com motor de Astra, terminando em segundo lugar na classe com Riccardo Sávio/George Lisi/Ricardo Parente.
Vitória da LF Competições na Turismo 1.6
A classe reservada aos carros de turismo com motor até 1.600 cm³ terminou com dois carros da LF Competições no pódio: vitória do VW Passat de Luiz Finotti/Kaio Dias/Fabiano Gaspari e terceiro lugar para o Ford Escort de Rafael Preto/Narcísio Preto/Marcello Sarcinella. Entre os dois ficou o VW Voyage de Alex Benedetti/Leandro Justo/Tiago Arruda, da Callflex Racing.
Mesmo parados, Abbade e Cignetti vencem na P3
A última entrada de safety car da corrida foi causada pela parada do carro vencedor da P3, o Spyder-VW da equipe LT Racing pilotado por Luiz Abbade e pelo argentino Alejandro “El Principe” Cignetti. O carro parou na reta oposta logo depois daquela que acabou sendo a penúltima relargada. “O carro apagou e não pegou mais. Estávamos andando na chuva com pneus para pista seca, o que é complicado. Não paramos para trocar, resolvi continuar andando. Felizmente, o carro parou quando já não havia tempo para o segundo colocado descontar a distância”.
Cignetti, por sua vez, louvou o autódromo de Interlagos, que ele coloca entre os mais importantes do mundo. “Estou muito feliz. Para mim, Interlagos está no nível de Monza, é um autódromo repleto de tradição. Ganhar aqui é como realizar um sonho. Adoro o Brasil e o automobilismo brasileiro. Há um clima de amizade e confraternização que não existe no automobilismo argentino, onde todo mundo é mais fechado”, conta.
A estreia da Historic Race GT
Correndo pela primeira vez, os dois carros da nova categoria Historic Race GT alcançaram o objetivo de suas respectivas equipes: acumular quilometragem e concluir os 500 Km, visando colher dados para os novos modelos que competirão no campeonato de 2023. Almir Donato, construtor da réplica do Willys Interlagos equipada com motor VW refrigerado a água, diz que o carro funcionou perfeitamente durante toda a prova: “É um carro totalmente novo e evidentemente ainda vai evoluir, mas o importante é que não teve problemas”, comemorou. O Willys Interlagos recebeu a bandeirada com 80 voltas completadas.
O segundo Historic Race GT na corrida foi o Furlan GT40 tripulado por Tiago Régis/Tadeu Jayme/Marco Tanure/Ricardo Cimatti. Este carro também andou pela primeira vez nos treinos para os 500 Km. Segundo seu construtor, Rogério Furlan, a única atribulação da estreia foi causada pelo platô da embreagem, responsável pelas paradas não previstas – algumas, no meio da pista. “O carro em si não teve nenhum problema”, observou. Equipado com motor Mitsubishi Lancer aspirado de 2 litros, o Furlan GT40 deu 69 voltas em sua estreia oficial. Após a corrida, os dois carros da Historic Race GT foram desclassificados devido a detalhes técnicos que infringiam o regulamento dos 500 Km.
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