Card image
Fórmula 1
O Brasil que dá certo nas pistas: a história da Porto com Gabriel Bortoleto na F1

9 Minutos de leitura

    Fórmula 1
  • Publicado: 28/07/2026
  • Atualizado: 28/07/2026 às 16:38
  • Por: Rodrigo França

O sonho de chegar na F1 é compartilhado por milhões de pessoas no mundo todo, mas apenas 22 pilotos podem, por ano, atingir esta meta fantástica – há inclusive uma estatística que mostra que mais pessoas foram para o espaço do que disputaram ao menos um GP na F1.

Foto: Rodrigo França/ RF1

O Brasil tem um papel importante na categoria, criada em 1950, sendo o terceiro País com mais títulos na F1, perdendo apenas do Reino Unido e da Alemanha. Mas um hiato de quase sete anos sem pilotos titulares na temporada completa mostrou a dificuldade de ter um representante nacional no topo do automobilismo mundial. E este tabu foi quebrado no ano passado com a entrada de Gabriel Bortoleto na F1. Começando na Sauber em 2025 e agora como piloto oficial da Audi, no ano de estreia do time alemão, o brasileiro contou com um importante apoio de patrocidores nos anos de categoria de base para chegar lá. Campeão da F3 e da F2 logo em seu ano de estreia, hoje Bortoleto também pode se orgulhar de ostentar em seu capacete um parceiro de longa data que agora chegou junto com ele na F1: a Porto.

Muito mais que um simples adesivo, o apoio de uma marca 100% brasileira ao único representante do País no grid, que vem de dois títulos na categoria de base, mostra como o marketing pode impactar diretamente a vida de milhões de fãs ao proporcionar o apoio na hora certa a um jovem talento, e anos depois ser recompensando como uma empresa parceira de um piloto de grande projeção.

Para entender um pouco mais desta relação, conversamos no paddock em Montreal, durante os treinos do GP do Canadá de F1, o diretor de marketing da Porto, Oliver Haider, que nos deu uma boa visão do mundo do marketing esportivo no automobilismo.

Oliver Haider – Foto: Reprodução/ LinkedIn

Rodrigo França: ouvi uma história curiosa sobre a Porto e o Gabriel: vocês queriam conversar sobre o Stock Car e acabou que surgiu este jovem talento chamado Gabriel Bortoleto na história. Como é que começou essa relação?

Oliver Haider: antes de entrar na história em si, é legal a gente retratar a importância da cultura do carro para a Porto. A Porto foi construída e consolidada como uma marca que cuida do carro, cuida dos apaixonados por carro também, cuida da casa das pessoas, sempre foi muito próxima do automóvel, e a relação com o carro, principalmente com o brasileiro. A Porto tem 80 anos e viveu essa história do brasileiro, da evolução do carro, da evolução do trânsito, da evolução de várias tecnologias junto com a companhia. Com isso, a gente começou a se aproximar muito mais do automobilismo como um dos territórios dentro da cultura do carro. E num jantar, a convite do Lincoln (Oliveira, pai de Gabriel Bortoleto) para nos apresentar sobre a Stock Car, ele também contou sobre o jovem piloto que estava ali na época, no comecinho da F3, foi o começo do ano da categoria. E a gente se interessou muito. E vendo ali um pouco do que ele contou, a gente acreditou muito. Não tinha nem uma promessa de nenhum dos lados, nem uma pressão do nosso lado. Acho que isso foi muito boa da nossa relação com o Gabriel e com a família desde o início. A gente nunca teve uma pressão. “Ah, se o Gabriel não ganhar, se o Gabriel não”…. Não, a gente entrou como um parceiro, como uma apoia contra a partida maior. De fato mesmo era essa proximidade, essa conexão com o conteúdo para também inspirar mais jovens para a direção segura.

RF: E é na hora que precisa, né? Porque quando ele está na Fórmula 1, meio que todas as empresas querem o piloto. Mas quando ele está na Fórmula 3, ali que é difícil, não?

OH: É muito mais fácil você ter visibilidade para as marcas quando você está na Fórmula 1. Então a gente o acompanhou na Fórmula 3 desde o início, e na Fórmula 2 também, e depois agora na Fórmula 1, no segundo ano consecutivo, junto com o Gabi. Ele conseguiu realizar esse sonho de milhares, de milhões de brasileiros, de ter mais um piloto brasileiro no grid. Com isso, acho que muda um pouco a relação só marca e patrocinado. É uma construção de história. A Porto é uma marca brasileira, hoje é a única marca brasileira, a patrocinar o Gabriel Bortoleto, e que está há tanto tempo com ele. A gente vê a importância também para o país de ter um piloto, de ter uma inspiração para os jovens, de ter uma conexão forte com a nossa cultura, de estar representando o nosso País aqui, brigando por uma posição, um título no futuro, quem sabe. E acho que o Gabriel também representa um pouco a nossa imagem quando ele está na pista.

RF: E até nessa questão de você ter… A Porto também sempre ativa muito o GP São Paulo de Fórmula 1, tem a maior arquibancada exclusiva, o cliente tem o acesso em primeira mão para comprar. Então, como vocês estão sentindo a Fórmula 1 hoje em relação há cinco anos atrás?

OH: A gente tem um ecossistema muito completo, como negócio e como parceiros também. Nosso principal canal e parceiro hoje é o corretor, que construiu também a companhia até hoje para a gente. Esse corretor, ele participa do GP fortemente, até porque a nossa campanha de incentivo do Brasil inteiro, que se chama “Fecha com a Porto”, é para trazer esses corretores que performam, e até as equipes. O corretor compete na categoria ali dele, porque tem tamanhos, regiões diferentes, então ele compete com outros corretores dentro de equipes com nomes de equipes de Fórmula 1.É super legal toda essa conexão que a gente faz também com o automobilismo para trazer eles para o Brasil. O GP, sim, evoluiu muito. A gente está indo para o nosso quinto ano agora de patrocínio. Desde esses últimos cinco também ele foi evoluindo como experiência. A própria Fórmula 1, globalmente, evoluiu muito como imagem, como conteúdo, como virou um reality show nas telas, e o evento em si virou um festival. Ele não é mais só a corrida. A corrida é ali a peça mais importante, mas todo o entorno que acontece, principalmente em São Paulo, é muito importante. A cidade, o movimento que isso gera.

RF: Eu fiz uma matéria recentemente, que as companhias às vezes pagam milhões de dólares em patrocínio numa equipe de Fórmula 1, e o logo é pequenininho. E eu estava tentando explicar isso, que não é pelo logo no carro apenas ou no capacete. Quer dizer, o patrocínio num atleta é muito mais do que só aparecer ali na marca, na transmissão. É isso?

OH: Muito mais. Esse às vezes é até o de menos. Lógico que tem a exposição na marca, tem o retorno que isso traz de mídia, de televisão, de matérias, mas é como você ativa. O Gabriel, por exemplo, a gente tem nessa relação com ele, tanto de produção de conteúdo, campanhas, etc., mas também de experiências, de conhecer os nossos corretores no paddock, produzir conteúdo, de fazer uma foto, uma assinatura num boné do Gabriel durante o Grande Prêmio de São Paulo. Então essa forma de ativar o Gabriel, assim, e o Grande Prêmio também. Então quanto mais você entregar valor ali, seja para o seu cliente, seja para o seu parceiro, seja para quem você está convidando, mais ativo você vai estar dentro daquele patrocínio.

RF: Para vocês também, acho que nessa paixão pelo automóvel, estar numa equipe oficial de fábrica também acabou sendo muito interessante, pois a Audi realmente traz essa diferença de como era a Sauber, por exemplo, ano passado.

OH: A gente hoje está, de fato, no Gabriel. A gente não está na equipe diretamente, estamos com o Gabriel. Nosso objetivo também é continuar acompanhando o Gabriel por piloto brasileiro. Mas sim, estar numa equipe, numa marca como a Audi também é muito importante, acho que para ele e também para a Porto. A gente tem uma relação também muito forte com quase todas as montadoras no Brasil. Nossa marca é muito bem recebida no Brasil, então acho que isso contribui ainda para a cultura do carro.

RF: Você sente, tem algum número específico que você fala, por estar na Fórmula 1, presente com o Gabriel, o quanto que isso te reverte em vendas? Vocês têm essa conversão?

OH: Principalmente no GP do Brasil, a gente consegue ter um retorno que vem muito do cartão de crédito. A Porto é um ecossistema que tem desde seguro a produtos financeiros, plano de saúde, serviços para casa e para o carro. A gente, cada ativo, cada momento, também tem um retorno diferente de cada produto. Então, o cartão de crédito, nossos ingressos que a gente tem na nossa arquibancada, esgotam em 30 segundos.

RF: E as pessoas querem ter o cartão Porto justamente para isso?

OH: Querem ter o cartão para ter essa oportunidade de ir no GP. Além disso, elas também gastam no nosso cartão, elas usam o nosso cartão no autódromo, que tem diversos benefícios e isso também gera mais recorrência no produto. Então, esse retorno é um pequeno exemplo de um produto que é o cartão durante o GP. Não só durante, porque a gente faz uma campanha para premiar, sortear pessoas que mais usaram o cartão com números da sorte para vir no GP. Então, é uma ativação quase o ano inteiro que a gente faz, seja com o Gabi e seja com Fórmula 1 no geral.

RF: Na quinta, a gente falou sobre o público jovem, que nem sempre é tão ligado a carro como o pessoal mais velho, mas acho que o Bortoleto ajuda a trazer esse público para vocês.

OH: Muito. Os jovens, como um todo, cresceram muito na audiência da Fórmula 1 desde a entrada da Ligas. E claro que o Gabriel, por ser também um jovem brasileiro, ele se conecta com esse público e levando a nossa marca, falando sobre direção segura, falando sobre a importância do carro, falando sobre a cultura do carro para os jovens, para nós é muito importante. A gente sabe que não pode deixar essa chama apagar, esse calor sobre a paixão do carro para o brasileiro. A gente está, além do Gabriel, da Fórmula 1, em outros ativos também atrelados a carro. Rally dos Sertões, Porsche Cup. A Porto tem 300, 400 oficinas espalhadas pelo Brasil. Então é super completo o ecossistema. Queremos expandir, inclusive ter um evento proprietário de carro em breve.

RF: Então, eu ia te falar, o que é que a gente pode adiantar de planos da Porto para 2027, 2028? Em automobilismo mesmo?

OH: Com certeza, a gente quer crescer com marca e relevância nesse território. Então, queremos ter um ativo proprietário nosso sobre carro. Como que a gente dá experiência, dá acesso, dá conectividade ali, seja para o jovem ou para os pais, para quem quiser se relacionar com o carro, os diversos setores que a gente está presente. A gente vem se aproximando muito desse território para, assim, “pensou em carro, é apaixonado por carro”, a Porto Seguro tem que estar no imaginário.

RF: E é o que as empresas europeias fazem, elas apoiam os seus pilotos, dos seus países. Então este exemplo deve ser seguido por outras empresas brasileiras?

OH: Isso da Porto é muito interessante. Em nenhum momento a gente quis entrar em uma equipe, ou um piloto, ou um lugar pela marca. Ah, é porque é a que está mais na frente, é a que vai dar mais posição. Não é um oportunismo. Não é um oportunismo, mas de fato estamos com um piloto que representa nossos valores, representa nossa companhia, representa nosso País. Bem genuíno mesmo.

Deixe seu Comentário

Comentários