A NASCAR Brasil Series ganhou um novo capítulo em sua história recente no último dia 12 de abril. Mais do que a disputa na pista em Santa Cruz do Sul, o que marcou a etapa foi um feito raro: pela primeira vez, duas mulheres largaram no mesmo grid da categoria defendendo a mesma equipe.
Nos Ford Mustang #25 e #97 da SG28 by Pole Motorsport, Tatiana Calderón e Bruna Tomaselli transformaram a etapa gaúcha em um marco que vai além dos tempos de volta.

Estreias com peso internacional e nacional na NASCAR Brasil
A chegada de Tatiana Calderón à NASCAR Brasil carrega um currículo de destaque no cenário mundial. A colombiana foi a primeira mulher da era moderna a competir na Fórmula 2, além de ter atuado como piloto de testes na Fórmula 1, passado pela IndyCar, Super Formula e disputado as 24 Horas de Le Mans na classe LMP2.
Mesmo com essa bagagem, a piloto destacou o desafio de adaptação ao turismo brasileiro. Segundo ela, a estreia foi fundamental para compreender o formato da categoria, desde a classificação até as particularidades das largadas lado a lado e o comportamento do carro.
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No mesmo box, Bruna Tomaselli representa uma trajetória sólida construída em diferentes categorias. A catarinense iniciou no kart, passou pela Fórmula Junior Brasil e Fórmula 4 Sul-Americana, competiu nos Estados Unidos e ganhou projeção internacional ao integrar a W Series.
De volta ao Brasil, acumulou experiência em carros de turismo antes de encarar o novo desafio. Em Santa Cruz do Sul, enfrentou condições variadas, com treinos no seco, corrida sob chuva e outra em pista seca — um cenário que exigiu versatilidade imediata.
Evolução rápida e foco em resultados
Apesar de ser apenas a primeira etapa, ambas deixaram claro que o objetivo vai além da adaptação. Tatiana Calderón ressaltou que o fim de semana serviu como base técnica para evolução ao longo da temporada, especialmente visando a próxima etapa em Cascavel.
Bruna Tomaselli seguiu a mesma linha, destacando que, com maior adaptação ao carro e ao formato do campeonato, a meta é brigar diretamente por vitórias nas próximas corridas.

Um marco que dialoga com a história global da NASCAR
Quando ampliado para o cenário internacional, o feito ganha ainda mais relevância. Desde a criação da NASCAR, em 1949, a presença simultânea de múltiplas mulheres no grid sempre foi rara.
Na temporada inaugural da então Strictly Stock, nomes como Sara Christian, Ethel Flock Mobley e Louise Smith dividiram a pista. Décadas depois, em 1977, a Cup Series voltou a registrar três mulheres em uma mesma corrida, com Janet Guthrie, Christine Beckers e Lella Lombardi.
Mesmo com avanços pontuais ao longo dos anos, incluindo participações em categorias de base como a ARCA, episódios assim seguem sendo exceção — o que reforça o peso simbólico do que aconteceu no Brasil.
Mais que estatística: transformação em andamento
O que se viu em Santa Cruz do Sul não é apenas um dado histórico. A presença de Tatiana Calderón e Bruna Tomaselli no mesmo grid coloca a NASCAR Brasil Series em sintonia com uma transformação global no automobilismo.
A competitividade segue sendo o eixo central, mas agora acompanhada de uma diversidade que começa a ocupar espaço de forma mais consistente. Em um esporte marcado por diferenças mínimas no cronômetro, às vezes os avanços mais relevantes são justamente aqueles que não aparecem nos números.
Próximos passos da temporada da NASCAR Brasil
Após a abertura em Santa Cruz do Sul, a NASCAR Brasil segue seu calendário com etapas importantes ao longo de 2026, incluindo passagens por praças tradicionais como Interlagos e Velocitta.
A próxima parada será em Cascavel, onde a expectativa é de evolução das estreantes e continuidade de um campeonato que já começou fazendo história.


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