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O xixi foi o culpado

Autor: Chico Lelis


Corria década de 70. Um dia o Capitão dos Portos, a maior autoridade da Marinha baseado em Santos, foi convidado para um almoço a bordo, pelo comandante de um navio, seu amigo, ancorado em Santos.

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Fazia sol, como na maioria dos dias nesta amada cidade naquela época do ano. O trajeto entre a sede da Capitania dos Portos e o armazém onde estava o navio do amigo do comandante foi feito no Jeep da unidade, aqueles com capota de lona e sem janelas, com o vento entrando por todos os lados, que amenizava um pouco a alta temperatura.

Chegando ao Porto, o comandante desceu do veículo, que estacionou junto à escada de acesso ao navio, e a subiu.
Passado algum tempo, o motorista do Capitão dos Portos sentiu uma necessidade enorme de mictar. Olhou prum lado, pro outro e viu um banheiro láááááá longe!.

Apesar da distância, foi!

Ele sabia que o Capitão não voltaria antes de duas horas, o que lhe daria muito tempo para atender à suas necessidades fisiológicas. Com folga!

Mas, quando voltou, a surpresa desesperadora. O Jeep sumira. Ele não acreditava, quem teria tido a coragem de roubar um Jeep da Marinha, com o símbolo oficial e a inscrição: Marinha do Brasil/Capitania dos/Portos/Santos?
Mas alguém o roubara.

Passaram-se as duas horas previstas, o Capitão dos Portos desceu e não viu o seu Jeep.
Depois da continência, o motorista, totalmente constrangido, explicou o acontecido: fui ao banheiro e quando voltei alguém havia roubado o Jeep.

Foi a maior correria no cais. Como aquilo podia ter acontecido?

Não havia explicação.

Não havia mesmo, até que o conferente de carga e descarga, que nada sabia do caso, já que estava a bordo, dentro dos porões, avisou pelo rádio o pessoal de terra: – Sabem aquele carregamento de Jeep? Pois é, tem um a mais aqui no porão. Está cheio de coisas escritas e com um âncora desenhada na lataria. Manda o guindaste pra tirar isso daqui pois este Jeep é clandestino e não vai viajar não! Gritou com autoridade.

E o Capitão dos Portos pode voltar para a Capitania no seu Jeep.
Coisas do Porto de Santos

* Essa história me foi contada pelo meu querido e saudoso amigo Álvaro, vô do João e do Lucas. E tem mais, muito mais.


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