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O dia em que o craque jornalista virou o maior craque futebolista

Autor: Leonardo Marson


Edson Arantes do Nascimento. Poucos são aqueles que não sabem quem está por trás desse nome, certo?

Odair Pimentel. Muito poucos, mas poucos mesmo, sabem o que esse nome representa, certo?

Pois em um determinado dia, em 1966, na África, eles se tornaram um único ser: PELÉ.

Pois vou contar como isto aconteceu.

Corria o ano de 1966, Pelé já era ídolo mundial, adorado na Vila Belmiro onde fazia gols memoráveis, ao lado de Coutinho, Pepe, Dorval, Mengálvio, Zito e Edu, entre outros, só pra mencionar atacantes e meio campistas.

Por seu lado, Odair Pimentel era repórter esportivo, um dos mais conceituados do setor, que então escrevia para o Diário de São Paulo. E, como tal, “cobria” o Santos F.C., o maior time do mundo em sua época.

Naquele ano, o Santos fez sua primeira excursão à África, e Odair viajou com a “Seleção” e outros jornalistas brasileiros. Ao pousar no aeroporto, o avião foi cercado pela população que não deixava espaço para ver o chão. A polícia local, para evitar que invadissem o aparelho, usava enorme cassetetes, como se fossem tacos de golfe.

Todos queriam ver o ídolo PELÉ. Gritos, choros, delírio total. Ao ver aquilo, o maior jogador de todos os tempos tremeu. E a cena era realmente assustadora. Ele então sugeriu que Coutinho fosse o primeiro a sair, com a camisa 10. O centroavante, claro, se negou. Mengálvio, também não aceitou ser sósia do Rei, assim como nenhum outro negro do time. Daí, alguém olhou pro Odair Pimentel e falou, Odair, põe a camisa do Pelé e vai lá.

Sem entender direito o que estava acontecendo, Odair se sentiu honrado com aquela escolha e colocou a camisa número 10 sem titubear.

– Chico, quando a porta foi aberta e vi aquele povo todo querendo entrar na marra no avião e a polícia batendo neles como se fossem bolas de golfe, com aqueles cassetetes enormes, me arrependi, mas já era tarde. Desci as escadas do avião pensando que ia ser engolido pela massa.

Entrei num carro branco, conversível, e segui vendo aquele mar de gente gritando PELÉ, PELÉ. E não havia espaço aberto, todos queriam chegar no carro. Foi amedrontador, mas emocionante ao mesmo tempo”.

Obs: estes dois últimos parágrafos são literais, fatos a mim contados pelo próprio ODAIR PIMENTEL, com quem tive a honra de trabalhar na Sucursal de O Globo, em São Paulo, no início dos anos 80, na deliciosa redação, no Conjunto Zarvos, na Consolação x São Luís, um das mais badaladas esquinas de São Paulo, naqueles tempos. Há uma versão de que terroristas da época haviam ameaçado matar PELÉ, e que Odair foi no lugar dele para preservar o amigo. Mas, a versão que narro aqui me foi contada, ao vivo, pelo próprio “clone” do Rei.

Obs II: Em 1969, o Santos voltou à África e, para que o jogo transcorresse normalmente, interrompeu-se uma guerra no Congo (*)

(*) Em 1969, a equipe paulista voltou à África para promover o time. A viagem incluía uma passagem na República Democrática do Congo (na época, conhecido como Congo ou Congo belga). Porém o país passava por um momento difícil com a chamada Crise do Congo que perdurou por toda a década de 60. Na época, os militares tentavam se manter no poder, após um golpe de estado acontecido em 1968. Para chegar até o local da partida programada, a cidade de Brazzaville, o Peixe precisava atravessar a capital do país, Kinshasa. Porém, não haviam boas condições para que essa passagem acontecesse de forma tranquila. Foi necessário um grande apelo popular para que isso fosse possível. A partir do momento do cessar-fogo temporário, os exércitos das duas partes envolvidas no conflito escoltaram os santistas até o hotel e depois até o estádio onde seria realizada a partida.


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